PesadeLOL

O pesadelo meu de cada dia

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Caos na cidade. Buzinas, luzes quebradas, carros tombados. Cheiro de sangue e mortos por todo lado. Subo as escadarias de uma construção antiga e imponente. Eram de mármore, o lugar todo branco. Bem bonito.

Vou correndo e fico surpresa: morro de medo de escada. Entro pela gigantesca porta de madeira maciça, ela se fecha logo após as centenas de pessoas atrás de mim entrarem. Estava acontecendo uma festa.

O local era chique, coisa de rico. Lustres de ouro, luzes brilhantes. As pessoas, doentes, caíndo. Dezenas de bêbados dançando pelo salão, como um baile antigo, enquanto os moribundos rastejavam nas escadas. Em uma conversa curta consigo compreender a situação: uma doença se espalhou pela cidade, qualquer mínimo contato com os doentes causaria os mesmos sintomas e a morte. Eu viraria uma espécie de zumbi inteligente, bizarro.

A idéia era juntar todos os vivos naquele local, fazendo com que todos se contaminassem e morresem. Show de sadismo para as câmeras, que gravavam o local.

Então começo a andar de bengala pelo salão. Curioso, hora estava correndo numa escada, agora estou de bengala. Oi, murphy?

Tento descer um degrau e a fatalidade acontece: esbarro num doente. Pronto, automaticamente peguei a doença. “E agora? Vou virar monstro”. Não queria. Tomei a decisão mais rápida da minha vida: saí pela gigantesca porta, chamei o segurança. “-Oi, vou virar zumbi. Por favor, me dê um tiro na cabeça!” pedi em tom de desespero. Todos me olharam espantados, afinal, quem pediria com tamanha convicção a própria morte? Bem, provavelmente só eu.

Os seguranças se posicionaram a minha frente e apontaram. Fechei os olhos bem forte, momentos legais da minha vida passando na cabeça. Ouvi o disparo e tive uma dor muito forte na nuca. Caí.

Último pensamento: tem vida após a morte? Tudo foi ficando escuro. Muito escuro, preto-negro-asa-da-graúna. Sem som, sem pensamentos. Pela primeira vez em vida senti isso, o nada absoluto, paz mental. Incrível, melhor que qualquer droga. Senti uma felicidade única. Então, quando estava no meio do nada, acordei. Ué? Tava melhor daquele jeito. Eu havia rescussitado. Fiquei feliz porque não havia nada pós morte, liguei para meus amigos para comemorar. Estavam todos mortos.

Vou até minha casa verificar se estavam todos bem, alguns parentes haviam virado zumbis. A única pessoa que podia me ajudar, tomou uma água contaminada. Em breve se tornaria zumbi e eu não queria morrer destroçada por um monstro esfomeado. Achei uma arma, esperei todos andarem a minha frente, mirei na cabeça e atirei, um a um. Acordei.

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Inferno

Umas quatro da tarde e eu vagando em um terminal estranho de ônibus. Decidi então procurar pelos ônibus que me levariam de volta pra casa, mas de forma estranha eles pareciam levar a lugar algum.

Então subi num ônibus qualquer, o plano era descer perto de algum metrô e de lá me viraria pela cidade. Só que, pelo jeito, era um ônibus amaldiçoado. Me levou para dentro de uma fábrica estranha, onde eu não deveria ter entrado. Saí de lá correndo, perseguida pelos seguranças que certamente iriam me matar.

Do lado de fora, outro ônibus. Entrei correndo e avistei os seguranças perseguindo a condução pelo pátio do local ainda, e então tudo ficou escuro. E vermelho, e cinza, cheirando a fumaça acompanhado de sons bizarros. Abri o olho, desci do ônibus… estava no inferno.

A paisagem do lugar era interessante, rochas pontiagudas brotavam do chão cinza chumbo, coberto de fuligem. O céu era vermelho escuro com algo semelhante a nuvens, provavelmente gases rarefeitos.

Caminhei pelas ruas do lugar, até encontrar um outro ser humano. Até então só conseguia ver mortos, sangue, pessoas rastejando e tentando se matar. Era um homem de meia idade, sujo e maltrapilho, sentado numa esquina. Cumprimentei e recebi um retorno extremamente ranzinza. O homem estava ali há 2 anos esperando um ônibus. E sem dormir. Afinal, é o inferno, não poderia faltar uma sacanagem com os habitantes do local.

“Ótimo”, pensei, já lamentando quanto tempo ficaria ali esperando um ônibus e se eu chegaria a ficar no estado mendigo-desgraça que o cara estava. Sentei ali do lado do ranzinza moribundo e fiquei observando o que rolava na rua.

Lobisomens passavam me ameaçando, crianças fugiam das casinhas ao redor com facas na mão, brincavam uma de matar as outras, ressuscitavam e voltavam a se matar. Eventualmente alguma vinha tentar me matar também, coisa linda esse inferno.

Eis que então, dois dias depois, aparece no horizonte um ônibus. O homem do meu lado se levantou, correndo, e eu de longe já reconheci pela cor. Tratava-se de um ônibus intermunicipal. Na frente do ônibus, o destino: “GUARULHOS”. Então nem me dei o trabalho de levantar.

O homem virou e perguntou, surtado: “-Ué, você não vai?” e eu, com plena certeza do que queria, disse: “-Não, prefiro ficar aqui mesmo. Não curto ir pra Guarulhos.” E ali fiquei, assistindo o ônibus ir embora, curtindo o inferno.

Assim começo meu tumblr para além de outras coisas, catalogar meus pesadelos bizarros.

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